quinta-feira, 25 de junho de 2009

Manno Escobar - A estrela mais brilhante do sul



Diretor artístico da Intercoiffure Brasil, hairstylist perfeccionista, dono de técnica e talento empresarial apuradíssimos, Manno Escobar está à frente de um dos salões mais badalados do Sul do país, por onde circulam 80 clientes ao dia. Alguns vindos até de outros estados. Não por acaso, “mesmo morando no fim do mapa”, como ele carinhosamente chama Passo Fundo, sua cidade natal, a carreira ganhou visibilidade internacional. “Está aí algo de que me orgulho muito”, revela o hairstylist.

Luiz Fernando de Souza Escobar praticamente nasceu dentro de um salão. Filho de mãe cabeleireira, ele conta que, à noite, antes de dormir, passava os olhos pelas perucas penteadas, enfileiradas pela casa. “Tentei fazer faculdade e cursei dois anos de filosofia e mais dois de desenho, mas a vocação falou mais alto e, aos 20 anos, eu já trabalhava o dia inteiro cortando e escovando cabelos para investir em cursos em Nova York, Paris, Londres e Milão”, diz o stylist, hoje com 43 anos.

A base de sua formação técnica tão elogiada, segundo Escobar, foi passada pela mãe, uma profissional considerada moderníssima para os anos 70. “Naquela época, ela já viajava regularmente para a Europa em busca de novidades.

E eu ia assimilando tudo, praticamente sem perceber”, diz ele, que divide a administração de seu bem-sucedido salão (que tem 600 m2, 52 funcionários e 18 mil clientes cadastrados) com uma agenda lotada de eventos nacionais e internacionais. Ainda assim, ele encontra tempo para ministrar cursos de especialização para profissional e marcar presença nas reuniões escolares do filho, Yghor, de 10 anos, sempre com o apoio incondicional de sua mulher, a maquiadora Margareth Rien. Tanto esforço rendeu uma coleção de prêmios ao mestre, como Profissional do Ano Intercoiffure Brasil 2003; Top of Mind RS 2007; e Profissional do Ano Hair Beauty Spa 2008, só para citar alguns. O mais importante deles, claro, é o título de Chevalier de La Ordre, que recebeu da Intercoifffure Mondial, devido sua dedicação profissional.

Como não poderia deixar de ser, a fama traz o assédio a tiracolo e, várias vezes, o casal tem sido sondado para trabalhar em grandes centros do país e abrir filiais em outras cidades, convites que são elegantemente recusados. Mas qual é o segredo para conciliar o artista com a rotina de empresário à frente de um dos mais luxuosos salões do país? “Na verdade, não há segredo. Só muito trabalho, mesmo. O grande desafio nessa história toda é manter o padrão de qualidade sempre alto dos nossos serviços. Por isso, procuro passar o maior tempo possível dentro do salão e sou bastante exigente com as pessoas que fazem parte da minha equipe. Talvez este seja o grande motivo que me impeça de abrir filiais em outros estados. Afinal, o atendimento personalizado é minha marca registrada – algo que ficaria muito difícil de manter e controlar se tivesse de administrar uma rede, por exemplo.”

Apaixonado por revistas, ele confidencia que os quartos de sua casa não são suficientes para abrigar sua coleção que, hoje, já invadiu corredores e até a sala de visitas. Diretor artístico de shows em grandes eventos da coifure, o hairstylist sempre surpreende o público com produções de altíssimo nível. Sua atuação vai desde a escolha das modelos até a definição dos figurinos. Ele conta: “Muito antes de ser cabeleireiro, eu era fã da alta-costura e um ávido pesquisador de moda, assuntos que sempre me fascinaram pelo teor artístico, mesmo. Não por acaso, a principal característica do meu trabalho é associar moda e cabelo, aproveitando essa união nos cortes de cabelo e colorações realizados no salão. arquitetura, decoração, cinema e design também são excelentes fontes de pesquisa. Tudo o que é visual ou manifestação artística me inspira. Afinal, as tendências surgem exatamente desses segmentos,” revela. Já seu processo de criação funciona por partes. “A Hair Brasil é bom exemplo: primeiro, tracei todo o tema, roteiro e croqui do show da Intercoiffure. Na volta do evento, concentrarei-me na coleção do salão. Mas tudo tem de ser feito aos poucos e de maneira organizada, com começo, meio e fim.

Experiência compartilhada
Em 22 anos de profissão, Escobar assistiu a grandes transformações da coiffure. “Antes, a gente tentava convencer as clientes a aceitar a moda e a arriscar novos visuais. Hoje, são elas que pressionam os cabeleireiros.” Segundo ele, as mulheres estão cada vez mais exigentes e sabem muito bem o que querem. “Se elas pudessem, mudariam o corte e a cor dos cabelos toda semana. Por isso, nós, profissionais, temos o dever de estar bem-informados.”

Outra grande mudança, na opinião do hairstylist gaúcho, é a especialização, que surgiu com a maior facilidade de acesso à informacão. “Essa nova geração de beautystylists chega com um embasamento muito bom, graças às faculdades de moda, estética e cosmetologia que se instalaram no Brasil, assim como às filiais das grandes escolas internacionais da coiffure. Antes, a informação demorava pelo menos cinco anos para chegar aqui. Hoje, nossos profissionais podem competir em pé de igualdade com os colegas que vêm do mercado internacional.”

Contribuir para o desenvolvimento educacional e artístico da profissão é uma de suas metas como membro da Intercoiffure. Por isso, do alto de sua experiência, Escobar dá alguns conselhos aos jovens talentos que estão entrando agora no mercado: estudar bastante e fugir da massificação, porque as clientes querem atendimento e serviço personalizados. “É a única maneira de ter sucesso, porque a mãode- obra especializada está cada vez mais cara, ou melhor, mais bem-remunerada. Eu sou um bom exemplo disso – mesmo morando no fim do mapa, não deixei de ganhar visibilidade e reconhecimento,” afirma.